HSBC e IFC lideram aporte de R$ 7 bi em usina ‘verde’ criticada por quilombolas

COM A PROMESSA de reduzir emissões de gases do efeito estufa com a produção de SAF (combustível de aviação sustentável) e diesel renovável no Recôncavo Baiano, a empresa de energia Acelen atraiu R$ 7 bilhões em crédito público e privado para a construção de uma biorrefinaria na região onde moram dezenas de comunidades quilombolas.

O recurso foi levantado por meio de um consórcio liderado pelo banco HSBC e pela IFC (International Finance Corporation, braço de investimentos do Banco Mundial), do qual participam outras dez instituições financeiras nacionais e internacionais, incluindo o BNDES e o Bradesco. 

A expectativa da Acelen é fabricar 1 bilhão de litros de SAF por ano a partir de 2028. O CEO da empresa, Luiz de Mendonça, afirma que 80% da produção já foi vendida para mercados dos Estados Unidos e da Europa. 

Com essa projeção, a iniciativa aparece entre os principais projetos de produção de biocombustíveis em escala para exportação mapeados pelo governo federal, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Em 2025, o presidente Lula participou da inauguração de uma das fábricas do projeto de macaúba da Acelen em Montes Claros (MG). 

A macaúba será processada na biorrefinaria que a empresa pretende construir em São Francisco do Conde (BA), às margens da Baía de Todos os Santos, no Recôncavo Baiano. A Acelen já opera uma refinaria de petróleo na região, que tem histórico de vazamentos.

Tanques da Refinaria de Mataripe, localizada no município de São Francisco do Conde (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Queixas das comunidades tradicionais

A Acelen já tem plantações de macaúba na cidade de Cachoeira (BA), que fica próxima à futura usina. Mas comunidades quilombolas e marisqueiras que moram perto da plantação reclamam da instalação de cercas e placas que restringem a circulação dos quilombolas em áreas historicamente usadas para extrativismo e práticas religiosas. 

Segundo eles, esses territórios passaram a ser ocupados pelo cultivo de macaúba, e as estradas do entorno, já marcadas por buracos, pioraram com a circulação de caminhões e tratores da Acelen desde o início do plantio, em 2025.

Arte: Rodrigo Bento/Repórter Brasil

As queixas levaram o Ministério Público Federal a abrir uma investigação para apurar se o projeto viola o direito à consulta prévia, livre e informada de comunidades tradicionais afetadas pela futura biorrefinaria e pelas planta

Compartilhe