EMPRESÁRIOS DO setor de mineração estariam se passando por garimpeiros artesanais com o objetivo de “esquentar” a origem de ouro extraído de áreas não identificadas, concluiu a Receita Federal após analisar a origem de 15 kg do minério barrado no Aeroporto de Guarulhos. A prática também serviria para driblar exigências da extração em larga escala, segundo especialistas ouvidos pela Repórter Brasil.
A carga em questão, retida pela alfândega em novembro de 2025, pertence à Coluna DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) e tinha como destino a companhia MD Overseas DMCC, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo fiscais da Receita, haveria “fortes inconsistências” entre a documentação apresentada pela Coluna e o que teria sido constatado em perícia técnica do órgão, o que motivou a apreensão da carga, avaliada em R$ 8,1 milhões.
A principal suspeita da Receita recai sobre 10 kg de ouro que a Coluna havia adquirido de terceiros. Um grupo de 18 garimpeiros forneceu cerca de 8 kg desse total, segundo notas fiscais de compra apresentadas pela Coluna ao órgão. Elas indicavam como origem do minério áreas em Peixoto de Azevedo, município amazônico no Norte do Mato Grosso, onde uma cooperativa obteve autorização para exploração por meio de PLGs (Permissões de Lavra Garimpeira).
A PLG é uma autorização simplificada da ANM (Agência Nacional de Mineração) destinada à mineração em pequena escala. Ela possui critérios socioambientais menos exigentes do que a Concessão de Lavra prevista no Código de Mineração, necessária para a atividade em larga escala.
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Para a Receita Federal, “a análise individualizada e o cruzamento dos dados de cada vendedor evidenciaram que não se tratam de pessoas cooperativadas ou garimpeiros, mas, sim, de verdadeiros empresários mineradores que operam em escala industrial na extração de ouro”. Eles teriam utilizado a PLG ape
