QUILOMBOLAS DA COMUNIDADE DO BARREIRO, na cidade de Piatã, na Chapada Diamantina (BA), reclamam que os veículos usados no transporte escolar são precários e inseguros. A empresa responsável, a Araujo Alves Empreendimentos, atua na região desde 2021 e teve seu contrato prorrogado pela 11ª vez com um contrato no valor de mais R$ 3,2 milhões até o final do ano. O dono da empresa, Diego Santos Alves, é réu por fraude à licitação em outra cidade, Canarana, no semiárido baiano.
Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, o pregão realizado em Canarana em 2019 para contratar serviços de transporte escolar e locação de veículos foi direcionado à empresa de Alves.
O certame tinha valor estimado em R$ 5,3 milhões e era custeado com recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Uma perícia também apontou sobrepreço de 38,7% no valor homologado para o transporte escolar.
Documentos da investigação obtidos pela Repórter Brasil mostram que o responsável pelo pregão admitiu ter simulado o certame. Segundo seu depoimento, empresas foram apresentadas como concorrentes sem saber que participavam do processo, e cotações foram formuladas para que a Araujo Alves apresentasse a proposta mais vantajosa.
A prorrogação do contrato em Piatã ocorreu um mês depois de Alves se tornar réu. Ele negou, em depoimento, ter participado da fraude. Disse desconhecer as rotas do transporte escolar e afirmou que subcontratava motoristas e veículos sem conhecimento da Prefeitura de Canarana.
Procurado por e-mail e WhatApp pela Repórter Brasil, Alves não respondeu.
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Ao comentar os problemas relacionados à política de transporte escolar, Shirley Pimentel, pesquisadora do Coletivo de Educação da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), afirma que a falta de fiscalização dos recursos públicos e o fechamento de
