Debatedores pedem identificação precoce e ações pedagógicas para superdotados

Capacitação de professores, desenvolvimento de projetos pedagógicos específicos e estímulo à identificação precoce foram algumas das principais reivindicações apresentadas em audiência pública sobre políticas para pessoas com superdotação e altas habilidades (SD/AH). O encontro foi promovido nesta quinta-feira (26) pelas Comissões de Direitos Humanos (CDH) e de Educação (CE).
Especialistas, gestores e pessoas superdotadas e com altas habilidades denunciaram isolamento, preconceito e bullying e pediram mais atenção do poder público com o tema. A audiência foi presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), autora do requerimento. Essa foi a segunda rodada de discussão sobre o assunto. 
De acordo com os participantes, é fundamental o investimento em capacitação de professores. Esses profissionais, segundo os debatedores, são em sua maioria os grandes responsáveis por identificar crianças e jovens superdotados ou com altas habilidades. A iniciativa pode ampliar a rede de apoio de conscientização para que as famílias busquem a certificação por meio de laudo e dessa forma tenham acesso às políticas públicas. 
Representante do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD), Denise Matos disse que a falta de ações efetivas de implementação de políticas públicas estruturantes leva à invisibilidade dessas pessoas, principalmente na educação. Ela defendeu parcerias entre o setor público, instituições da sociedade civil e a academia para que uma prática pedagógica planejada e específica possa ser aplicada a esse aluno especial. 
— Nós temos estado em diálogo com as universidades, com os governos estaduais, para que haja um reconhecimento dessas pessoas. Nós precisamos tirar o superdotado dessa invisibilidade que o acomete, principalmente no espaço educacional. 
Subnotificação 
Os especialistas advertiram ainda que a falta de políticas públicas acaba reduzindo o papel encorajador das famílias, restringindo o diagnóstico precoce a famílias de alta renda. 
Superdotada, mãe de superdotado e advogada de direito educacional de alunos com AH/SD, Vanessa Pavanni Mello criticou o atual sistema nacional adotado para identificação desse público. 
Ela explicou que o sistema se apoia em um modelo teórico engessado, que leva em consideração as habilidades superiores à média, a criatividade elevada e o alto engajamento com tarefa. No entanto, para ela, esse método exclui questões fundamentais como a saúde mental e o contexto educacional de falta de apoio ao estudante, pr

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