CASOS de trabalho escravo na cadeia de fornecimento da JBS investigados pela Repórter Brasil embasam uma ação movida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) contra a gigante da carne. O órgão pede na Justiça que a empresa pague R$ 118,9 milhões por danos morais coletivos e seja obrigada a adotar medidas que previnam a prática em toda sua cadeia produtiva no estado do Pará, da cria do gado até o consumidor final.
Na ação, aberta em 9 de abril na Vara do Trabalho de Xinguara (PA), o órgão afirma que a JBS “manteve relações comerciais regulares e duradouras com fornecedores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas às de escravo”.
O MPT cita sete casos de pecuaristas autuados pela prática e que integraram a cadeia de fornecimento da JBS antes, durante ou depois da publicação de seus nomes na Lista Suja do Trabalho Escravo. O cadastro, mantido pelo governo federal, torna públicos os nomes de pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas por trabalho escravo. Dos sete casos detalhados na ação, cinco foram identificados e divulgados em investigações da Repórter Brasil.
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A ação do MPT contra a JBS integra o projeto Reação em Cadeia, criado em 2020 com o objetivo de buscar a responsabilização de empresas que, direta ou indiretamente, estejam ligadas ao trabalho análogo à escravidão em cadeias produtivas no Brasil. Como resultado da primeira fase do projeto, o MPT divulgou na última quarta-feira (29) que mais de 30 grandes empresas – entre elas a JBS – compraram R$ 48 bilhões em insumos de fornecedores flagrados por trabalho escravo entre 2024 e 2025.
Na ação que tem a JBS como ré, o MPT afirma que, somente em transações comerciais dos sete pecuaristas analisados, a empresa movimentou R$ 118,9 milhões – valor da indenização pedida pelo órgão na Justiça. O montante foi calculado a partir da análise de notas fiscais e GTAs (Guias de Trânsito Animal).
