Banco Mundial negocia US$ 20 mi a acusado de desmate perto de terra indígena no Tocantins

UMA CARTA assinada por 73 organizações sociais globais, além de 43 ativistas e pesquisadores, pede que a IFC (International Finance Corporation), braço de investimentos do Banco Mundial, cancele uma proposta de empréstimo de 20 milhões de dólares para a Agronorte, empresa brasileira de agronegócio. 

No documento, o grupo afirma que Gilmar Gonçalves Carvalho, fundador e acionista majoritário da empresa, é acusado pela Associação União das Aldeias Apinajé de desmatar áreas localizadas no limite da TI (Terra Indígena) Apinajé, em Tocantinópolis (TO), sobrepostas a terras reivindicadas pelos indígenas, e manter atividades sem o devido licenciamento ambiental. 

Carvalho é réu — junto a outros empresários — em uma ação judicial do MPF (Ministério Público Federal) pelo desmatamento de 2 mil hectares ocorrido em 2013 em áreas limítrofes à TI. No processo, iniciado em 2019, é informado que uma das fazendas do empresário, a Dona Maria, estava arrendada para uma carvoaria na época.

“Nós queremos chegar a esses financiadores, para que eles entendam que nossas vidas estão dentro deste território. Queremos que nossas vozes sejam ouvidas”, afirmou à Repórter Brasil Oscar de Sousa Fernandes Apinajé, diretor-presidente da Associação Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins Wyty Catë. “As empresas usam os valores que recebem desses investimentos para degradar e destruir os bens que nós temos”, complementou. 

Em resposta conjunta enviada à reportagem, Carvalho e a Agronorte afirmam  que “a área foi vendida pelo próprio Instituto de Terras do Estado do Tocantins (Itertins)” e que “essa suposta sobreposição sequer foi objeto de processo judicial”. Dizem, também, que a atividade de produção de carvão vegetal “encontra-se permanentemente encerrada”. 

 “A Agronorte reitera que suas operações ocorrem em estrita observância à legislação vigente, mantém seus canais abertos ao diálogo e reafirma seu respeito pelas comunidades vizinhas aos empreendimentos, pelas autoridades e pela sociedade”, diz a nota (leia a resposta na íntegra).

IFC diz avaliar atividades específicas propostas para financiamento

O empréstimo do IFC à Agronorte ainda está em avaliação, com definição programada para esta quinta-feira, dia 30. Se aprovado, o recurso será utilizado para financiar a aquisição de uma fábrica de ração animal em Três Corações (MG). 

À Repórter Brasil, o IFC respondeu que sua análise prévia “concentra-se nas atividades específicas propostas pa

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