DEPOIS DE SER EXPULSA DE CASA e perder a guarda do primeiro filho, Helen Baum passou a viver em situação de rua em São Paulo e mergulhou na dependência química. Para sobreviver, passou a trabalhar com materiais recicláveis. O uso de cocaína deu lugar ao crack e sua vida era atravessada por diferentes formas de violência — de abordagens policiais a agressões físicas cometidas por outros moradores de rua. Nesse contexto de extrema vulnerabilidade, ela engravidou.
“Teve um dia que eu passei muito mal e fui até a UPA [Unidade de Pronto Atendimento]. Só que não me deixaram nem entrar. Não me atenderam, porque eles têm esse preconceito com pessoas em situação de rua”, lembra quando estava grávida em 2013.
Sozinha, Helen não fez o pré-natal. Segundo ela, a discriminação e o fato de o pai da criança estar preso por furto faziam com que ela alternasse entre tentativas de interromper o uso de drogas e momentos em que o intensificava para “fugir” da realidade. Ao chegar no oitavo mês de gestação, pesando 45 quilos, sentiu fortes contrações no meio da rua, na região do Glicério, no centro de São Paulo.
“O pessoal da rua tentou pedir ajuda, mas ninguém parou para me socorrer”, conta. “Chamaram a polícia, passou uma viatura e eles ficaram me olhando, não me socorreram, mesmo eu me contorcendo de dor, e chamaram o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]. Nesse meio tempo, meu bebê nasceu morto no meio das minhas pernas. Eu chorava muito. Quando o Samu chegou, me levaram com meu filho. Eu lembro de no hospital o médico estar me costurando e me chamando de vagabunda, de porca imunda. Foi muita violência. Os policiais poderiam ter me levado na viatura, mas ninguém queria encostar em mim porque eu era uma mulher em situação de rua”.
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À Repórter Brasil, a Polícia Militar de São Paulo afirmou que seus profissionais são “capacitados para atuar em diferentes situações, inclusive
