Submundo da Sapucaí: trabalho precário afeta empregados das escolas de samba da ‘série B’ do RJ

MUITO DISTANTES do luxo dos desfiles na Marquês de Sapucaí, que começam nesta sexta-feira (13), trabalhadores das escolas de samba da Série Ouro do Rio de Janeiro (RJ) enfrentam jornadas exaustivas, pagamentos atrasados e condições precárias de trabalho nos barracões onde são produzidas alegorias e fantasias que compõem os desfiles, dizem fontes ouvidas pela Repórter Brasil.

Grupo de acesso do carnaval carioca, a Série Ouro abriga as agremiações que, anualmente,  disputam uma vaga no Grupo Especial. Representa, além disso, uma porta de entrada para artistas que, no futuro, podem migrar para escolas com mais verba e visibilidade. Nos bastidores, porém, a realidade é marcada por insegurança estrutural, informalidade trabalhista e restrições orçamentárias severas.

“A insalubridade é um ponto convergente entre todas as escolas”, afirma um carnavalesco da Série Ouro, que falou à Repórter Brasil sob condição de anonimato. Segundo ele, a falta de dinheiro compromete não apenas o acabamento das alegorias, mas também o estabelecimento de padrões mínimos de segurança para quem constrói o espetáculo.

De acordo com Hugo Gross, presidente do Sated-RJ (Sindicato dos Artistas e Técnicos do Rio de Janeiro), as denúncias mais recorrentes recebidas pela entidade envolvem atraso ou não pagamento de salários, ausência de contrato e jornadas excessivas. “No Grupo Especial, embora existam problemas pontuais, a estrutura e a visibilidade acabam gerando maior controle”, explica. Já no grupo de acesso, pontua, “a precarização costuma ser mais evidente, principalmente por falta de estrutura adequada e acompanhamento técnico”. 

Em nota divulgada na última terça-feira (10), a três dias do início dos desfiles, as escolas do grupo de acesso denunciaram que, ao contrário do Grupo Especial, a Série Ouro ainda não tinha contratos assinados nem garantias de repasse para 2026 de parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A falta de verba, afirmaram, coloca em risco milhares de empregos e a própria realização do espetáculo.

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