Sem-terra que ‘planta floresta’ disputa área com dona de serraria autuada pelo Ibama no Pará

DE BREU BRANCO (PA) — Quando chegou à terra onde hoje vive, há quase dez anos, Apolinário de Jesus encontrou apenas pasto. Em seguida, plantou cajueiros, ingazeiros, faveiras e outras espécies nativas. Aos 66, diz que seu projeto não é criar gado nem abrir novas áreas. Seu sonho, afirma, é “plantar madeira” e “fazer floresta”. Algumas árvores ainda não dão frutos. Outras atraem pássaros que ele se recusa a deixar que sejam caçados porque, como costuma repetir, “esses passarinhos tudo precisa de comer”. 

Enquanto Apolinário tenta transformar um antigo pasto em floresta, uma empresária ligada a uma serraria já autuada por infrações ambientais pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aparece em documentos públicos se apresentando como proprietária da área, conhecida como Fazenda Chama. 

O imóvel rural integra um conjunto de áreas cuja situação é objeto de questionamento no sudeste paraense. Pareceres produzidos pelo Iterpa (Instituto de Terras do Pará), órgão responsável pelo patrimônio fundiário do estado, afirmam que a Fazenda Chama faz parte de uma gleba originalmente pertencente ao patrimônio público paraense. Por essa razão, movimentos sociais argumentam que deveria ser destinada à reforma agrária.

Hoje, 54 famílias vivem em um terreno de 930 hectares — o equivalente a 1,3 mil campos de futebol — na Ocupação Irmã Dorothy. Os agricultores entraram no local inicialmente em 2008. Depois de serem despejados, reorganizaram a ocupação em 2017.   

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A Repórter Brasil teve acesso a boletins de ocorrência, documentos administrativos e depoimentos nos quais a empresária Eliene Rodrigues da Silva se apresenta como proprietária da Fazenda Chama. 

Ela também aparece como responsável pela Esbron Madeiras. A empresa acumula autuações ambientais no valor R$ 440 mil decorre

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