O SITE DA REPÓRTER BRASIL foi ao ar no dia 9 de outubro de 2001, data que consideramos o nascimento da organização. Ela surgiu com o objetivo de fomentar a reflexão e a ação sobre a violação aos direitos humanos, principalmente os sociais e ambientais dos povos e trabalhadores do país, por meio da informação de qualidade.
Desde o início, a Repórter Brasil tomou uma clara e inequívoca opção pelos vulneráveis, empobrecidos e marginalizados. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais têm sido usadas por lideranças do poder público, do setor empresarial e da sociedade civil como instrumentos de ação. Com isso, a organização se tornou uma das mais importantes fontes de informação sobre temas, como a escravidão contemporânea.
Somos referência internacional para entender os impactos ambientais da produção agropecuária e do extrativismo, até as consequências trabalhistas do trabalho por aplicativos e da inteligência artificial. Nossa atuação há muito tempo extrapolou as fronteiras nacionais, envolvendo redes em todos os continentes e um papel atuante nas Nações Unidas.
A Repórter Brasil nasceu como um projeto coletivo, quase informal, reunindo jornalistas, mas também cientistas sociais e educadores, em sua maioria ex-alunos da Universidade de São Paulo. Hoje, temos uma operação com cerca de 40 profissionais, todos em caráter CLT, atuando dentro e fora do país.
A motivação para a criação da organização veio de nossas experiências anteriores em campo. Por exemplo, tendo percorrido os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal para fazer reportagens investigativas, eu me deparei diretamente com situações de trabalho escravo contemporâneo e outros tipos de violação aos direitos humanos, que me impactaram profundamente. Situações extremamente degradantes e que causavam indignação não só em mim, mas em todos a quem mostrava as histórias.
Também havia a percepção de que a imprensa tradicional não dava conta de certos temas ou abordagens, e de que era possível construir uma alternativa, usando a internet – que crescia como ferramenta para divulgar informação, conexão de pessoas e influência sobre a realidade.
Nos últimos 25 anos, vimos o país dar um salto. O problema foi a maneira como isso se deu e os “efeitos colaterais” desse processo. Incluímos milhões, negando a outros tantos seus direitos mais fundamentais. Porque, enquanto celebrávamos índices, rankings e crescimento, muita gente continuava invisíve
