Quilombolas denunciam impacto da extração de urânio na BA e dizem temer radiação

QUANDO LEVA SUA FARINHA para vender na feira de Caetité, no semiárido baiano, o agricultor quilombola José Carlos Ribeiro dos Santos costuma voltar para casa com boa parte da produção encalhada. “Quando o pessoal vê que a farinha vem daqui, muita gente não quer comprar”, diz à Repórter Brasil.

Ele mora na comunidade quilombola de Malhada, situada a 9,6 quilômetros da Mina do Engenho, a única mina de urânio em operação no Brasil, explorada pela estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil). “Quem poderia comprar fica com medo de contaminação”, lamenta Santos, que preside a Associação dos Agricultores Familiares Quilombolas de Malhada.

O urânio voltou ao debate internacional nas últimas semanas, pois, quando enriquecido, pode ser usado na produção de combustível nuclear e armas atômicas. O risco de que o Irã estivesse próximo de construir bombas nucleares foi o motivo alegado por Estados Unidos e Israel para iniciar ataques ao país persa no último 28 de fevereiro. A retaliação iraniana vem tendo como alvo, além de Israel, outras nações da região, e a guerra se espalha pelo Oriente Médio.

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No sertão da Bahia, contudo, os conflitos provocados pelo urânio são outros. Um relatório da missão do CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos) divulgado no início de março afirma que a exploração desse metal transforma o cenário em Caetité em um quadro crônico de “racismo ambiental”, marcado por insegurança hídrica e suspeitas de aumento de doenças graves como câncer.   

O documento aponta que a taxa de mortalidade dessa doença no município cresceu quase cinco vezes entre 1996 e 2022, segundo um estudo de 2025.

O CNDH é um órgão independente, composto por membros do governo e sociedade civil, que fiscaliza violações e promove a defesa dos direitos humanos no Brasil. Segundo o relatório, os impactos da mineração de urânio recaem principalmente sobre os quilombolas que vivem no ento

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