DE BELÉM — Em seu terceiro dia, a COP30 ganha um tom mais popular e, ao mesmo tempo, mais tenso. Protestos se espalham pelas ruas e vão tomar os rios da capital paraense na manhã desta quarta (12), com uma barqueata. Movimentos sociais e indígenas pressionam e fazem um contraponto ao tom otimista adotado por governos e corporações durante a conferência do clima.
A tensão escalou na noite de terça-feira (11), quando manifestantes invadiram a zona azul, onde acontecem as reuniões diplomáticas. O espaço é controlado e cercado por forte esquema de segurança. Um grupo formado por ativistas, no entanto, rompeu o cerco para protestar contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e pedir a tributação de bilionários.
As forças de segurança formaram dois cordões humanos para tentar conter a invasão. Dois seguranças ficaram feridos e houve danos superficiais ao portão principal. Os manifestantes gritavam: “Governo Lula, que papelão, destrói o clima com essa perfuração”.
Local com forte esquema de segurança, a Blue Zone foi invadida na noite de terça (11) por manifestantes que protestavam contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas (Foto: Daniel Camargos/Repórter Brasil)
O protesto foi o episódio mais tenso de uma série de atos que marcaram o segundo dia da conferência. À tarde, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) fez uma ação dentro da Agrizone. Localizada próxima ao pavilhão principal da COP30, a Agrizone foi criada pela Embrapa, com apoio do Ministério da Agricultura, para representar agronegócio. O local conta com estandes patrocinados por Bayer, Syngenta, Nestlé, PepsiCo, dentre outras.
O MST criticou o espaço como tentativa de limpar a imagem do agronegócio. Militantes vestidos de preto, com pulverizadores marcados com a palavra “glifosato”, marcharam pelo corredor principal cantando: “Agrizone, tu não me engana, o verde desse dólar não salva nossa Amazônia”.
Protesto em frente à Agrizone: manifestantes afirmam que espaço tem objetivo de ‘limpar a imagem’ do agronegócio (Foto: Oliver Ninja/Mídia Ninja)
Na outra margem da cidade, a Aldeia COP, instalada na UFPA (Universidade Federal do Pará), abriga quase 3 mil indígenas de todo o país, que chegaram a Belém em caravanas e embarcações. Na noite da terça (11), durante a cerimônia de abertura, eles pediram a demarcação de terras indígenas.
Mais cedo, o cacique Raoni Metuktire e outras lideranças indígenas da Amazônia criticaram
