Projeto de ‘lixão’ na Grande Belém gera temor de contaminação de rios da Amazônia

DO ACARÁ (PA) e SÃO PAULO (SP) — A água brota cristalina do solo, passa por entre as raízes das árvores e chega a duas pequenas lagoas artificiais que Jéssica Fraga e Sandro Cabral construíram em um terreno do pequeno município do Acará, 59 mil habitantes, no nordeste do Pará. As piscinas de água límpida num tom esverdeado se tornaram o grande atrativo do “Chalé das Águas”, a pousada que o casal administra desde a pandemia, quando eles decidiram sair da capital buscando um refúgio no interior.

Depois de deixar a área da pousada, essa água escorre novamente pela mata e abastece os igarapés da região, que por sua vez abastecem os grandes rios que cercam a cidade de Belém. No caminho, irriga a roça de pequenas comunidades ribeirinhas e quilombolas nesse pedaço de floresta pouco conhecido da Amazônia, a cerca de 26 quilômetros do centro da capital.

Esse refúgio, porém, está prestes a ser impactado pela instalação de um aterro sanitário planejado pela empresa Ciclus Amazônia. O projeto já foi condenado pela Semas (Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará), que viu nele prejuízos irreparáveis para a região. Mas segue tramitando por força de uma decisão judicial. 

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Controlada pelo grupo Simpar, uma holding de infraestrutura com ações negociadas na Bolsa de São Paulo, a Ciclus pretende desmatar uma floresta de 100 hectares para erguer, ao longo de 31 anos, uma montanha de lixo de 40 metros, o equivalente a um prédio de 13 andares.

É para lá que a empresa pretende levar o resíduo produzido nos nove municípios da região metropolitana de Belém, onde hoje vivem 2,3 milhões de pessoas. No Estudo de Impacto Ambiental, a Ciclus escreveu que há previsão de receber até lixo “industrial não inerte”, do tipo gerado no pólo minerador de Barcarena, cidade recentemente incorporada à região metropolitana de Belém que há décadas sofre com impactos ambientais associados à mineração.&

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