DO VALE DO PEIXE BRAVO (MG) – A nascente que corre ao lado da casa de Maria Celsa nunca secou. “De quando eu nasci até hoje”, garante a parteira de 71 anos, que ajudou a trazer ao mundo mais de 50 crianças na comunidade quilombola do Peixe Bravo, no norte de Minas Gerais. É essa a água que sua família bebe e usa para lavar roupa desde sempre.
Ela conta que a tranquilidade do lugar está mudando com a pressão de projetos de mineração na região, que já perdeu parte da sua paisagem natural para plantações de eucalipto. O maior receio de Celsa é ver a nascente secar e o território ser consumido por mineradoras. “A gente fica oprimido”, diz, sentada na varanda de casa, rodeada por vasos de flores tratados com capricho.
A preocupação ficou maior depois que o vale do rio Peixe Bravo, onde está situada a comunidade quilombola de Maria Celsa, foi excluído da proposta de criação de uma área federal protegida que impediria a atividade minerária na região.
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A Repórter Brasil e ((o))eco tiveram acesso a documentos e entrevistaram políticos e moradores locais. Alimentados por uma promessa de investimento bilionário que dizem ter sido feita pela gigante da mineração Vale, prefeitos e deputados da região barraram a implementação de uma RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) — movimento que também contou com apoio declarado do MME (Ministério de Minas e Energia), do governo federal.
A proposta de criação de uma unidade de conservação na região circula há mais de 15 anos nas mesas de ministérios do governo federal. Mas foi na atual gestão de Lula que ganhou corpo o projeto da RDS Córregos Tamanduá–Poções–Peixe Bravo.
Vegetação do Cerrado típica do Norte de Minas Gerais brota em meio a “canga bruta” com rochas de minério de ferro (Foto: Augusto Gomes)
A área protegida de uso sustentável cobriria aproximadamente 70 mil hectares entre os
