Operações deslocam garimpo ilegal para TI Sararé, no Mato Grosso, aponta ministério

DE BELÉM (PA) — A coordenadora de acompanhamento de desintrusão do MPI (Ministério dos Povos Indígenas), Julia Ospina Kimbaya, afirmou que o governo federal identificou um deslocamento de redes empresariais do garimpo ilegal para a Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso. Segundo ela, o movimento ocorre após operações de retirada de invasores em territórios protegidos, como a Terra Indígena Yanomami.

Essas operações, chamadas de “desintrusão”, são consequência da ADPF 709 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) apresentada em 2020 que obrigou o governo, durante a pandemia, a adotar medidas permanentes para proteger povos indígenas e retirar ocupantes ilegais de oito territórios, entre eles Yanomami, Munduruku, Kayapó e Apyterewa. 

Julia participou de um painel na terça-feira (18) na Aldeia COP, espaço indígena da COP30, em Belém (PA), e afirmou que, embora tenha havido redução do garimpo ilegal em alguns desses territórios, as estruturas não desapareceram, apenas se deslocaram. “Há uma relação intrínseca entre as redes que atuam em Yanomami, Kayapó, Munduruku e Sararé”, disse. 

“Quando o Estado pressiona um território, eles (garimpeiros) se deslocam para outro”. Julia Ospina Kimbaya, do MPI

O deslocamento envolve tanto facções criminosas quanto grupos empresariais que fornecem máquinas, combustíveis e logística para o garimpo. Julia afirmou que indígenas continuam sendo aliciados para trabalhar nas frentes ilegais sem receber retorno financeiro. “A forma de garimpo é perversa nas terras indígenas”, disse.

Na TI Sararé, o efeito já é visível. O território lidera, em 2025, os alertas de garimpo ilegal no país, com 1.814 registros do Ibama. Uma operação federal, coordenada pelo MPI e iniciada em agosto, destruiu 490 acampamentos, 113 escavadeiras, 361 motores de garimpo e quase 51 mil litros de combustível, além de motos, caminhões e munições. O prejuízo estimado ao garimpo ilegal supera R$ 177 milhões, segundo o Censipam, que acompanha o avanço das atividades clandestinas na região.O território tem 67.719 hectares e abriga 201 pessoas do povo Nambikwara. Homologado em 1985, a área combina trechos de floresta e cerrado e convive com pressões contínuas de garimpeiros, madeireiros, fazendeiros e grileiros, de acordo com informações do ISA (Instituto Socioambiental). 

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