Nobel de Economia ajudará a capacitar servidores públicos no Brasil

Iniciativa aplicada com sucesso em pelo menos 18 países, o programa Ensino no Nível Certo (Teaching at the Right Level, em inglês), que dá aulas de reforço escolar, quase não deu certo em dois estados da Índia. Famoso por agrupar crianças pelo nível de conhecimento atual, em vez da idade ou série, o programa enfrentava resistência de professores que sentiam que o método “desviava” do currículo oficial.

O diagnóstico que corrigiu a política pública só foi possível por causa de um tipo de avaliação semelhante à de um remédio ou vacina em desenvolvimento. Dois grupos suficientemente grandes e parecidos entre si foram separados por sorteio. Um beneficiou-se do programa, o outro continuou com o ensino normal. Método que rendeu o Nobel de Economia de 2019 a Esther Duflo.

Notícias relacionadas:BNDES e Cepal abrem inscrições para primeira turma de capacitação .Capacitação de enfermeiros em programa de saúde mental divide opiniões.A economista francesa deu uma aula magna na noite dessa terça-feira (17) em Brasília a servidores públicos, acadêmicos e convidados na Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A instituição assinou um convênio com a Fundação Lemann e a Universidade de Zurique, que permitirá a capacitação de servidores públicos na avaliação contínua dos resultados das políticas públicas.

Economista francesa Esther Duflo recebeu o Prêmio Nobel de Economia 2019 – Reuters/Direitos Reservados

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A capacitação será dada em associação com o Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel (J-PAL na sigla em inglês). Com sede no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, o centro de pesquisa global trabalha para reduzir a pobreza, garantindo que as políticas públicas sejam orientadas por evidências científicas.

Obstáculos

Durante a aula magna, Duflo explicou os três principais entraves para a gestão pública:

•   ignorância: desconhecimento da realidade local e dos detalhes práticos de implementação de políticas;

•   ideologia: tomada de decisão baseada em crenças pré-estabelecidas ou intuições, em vez de dados concretos;

•   inércia: tendência de manter programas existentes apenas porque já estão em vigor, mesmo que não apresentem resultados.

Segundo ela, métodos como as avaliações controladas aleatórias de políticas públicas podem identificar com precisão os êxitos e os problemas Para Duflo, esses exemplos reforçam o papel da avaliação contí

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