DE BELÉM — As declarações da CEO da Sigma Lithium, Ana Cabral, durante a COP30, provocaram reações de moradores do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Prefeitos, parlamentares e organizações locais repudiam a afirmação de que trabalhadores da região seriam “mulas de água” e parte de uma “geração perdida”.As falas da executiva, feitas em entrevista ao canal norte-americano CNBC na zona azul da conferência da ONU, também motivaram pedidos de esclarecimento à empresa e manifestações formais na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
“Falar que nós somos geração perdida? Eu sempre trabalhei e nunca deixei de trabalhar. Nunca fomos geração perdida”, afirma um morador da comunidade Piauí Poço Dantas, na zona rural de Araçuaí, vizinha à operação da empresa. Ele pediu para não ser identificado, por temer retaliações.
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Na entrevista, Cabral disse que a Sigma teria treinado 43 moradores locais que, segundo ela, eram “ex-mulas de água”: carregavam água na cabeça e trabalhavam em bananais antes de serem contratados pela empresa.
“Nós treinamos aquela geração perdida do Vale [do Jequitinhonha], que eram mulas de água, [uma vez] que as crianças que não tinham escola carregavam água na cabeça. Elas passavam o dia sem aula, carregando água da cisterna pública para casa, da casa para a cisterna pública”, declarou a executiva. Em agosto, ela já havia dado declarações semelhantes quando recebeu uma homenagem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.Em uma carta aberta, o prefeito de Araçuaí, Tadeu Barbosa, escreveu que a imagem de “mulas de água” pertence a um passado distante e não reflete a realidade atual do município, onde nenhuma criança deixa de estudar para carregar água. A prefeitura de Itinga também se manifestou, dizendo que faltou respeito com as crianças e trabalhadoras. Já a prefeitura de Vargem da Lapa classificou as declarações como “inaceitáveis”.
Executiva
