DE VENEZA (ITÁLIA) — “Antigamente, a gente via os padres brigando para salvar a alma, tirando pessoas da cachaça, tentando falar de Jesus para o povo. Agora, não: os padres estão brigando é por terra”, protestou Abraão Brito, liderança do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na Chapada Diamantina (BA), em áudio enviado em setembro do ano passado a um grupo de Whatsapp de agricultores da região.
“No município de Mundo Novo, no município de Ruy Barbosa, os padres ficam do lado da associação dos fazendeiros, [produtores rurais] que ficam ameaçando meio mundo de família sem terra, que já atirou em sem-terra, botaram fogo em barraco, derrubou o acampamento do MST. Ontem, no acampamento, o nosso povo foi coagido”, continuou Brito.
Para além das disputas com fazendeiros, o áudio da liderança do MST também faz referência a um conflito por uma vasta porção no interior da Bahia que já pertenceu a uma importante família de coronéis e foi herdada há quase cem anos por um mosteiro da Ordem Cisterciense, da igreja católica.
Desde 2021, os sem-terra mantêm um acampamento em uma das propriedades controladas pelos religiosos, e pressionam as autoridades a criar um assentamento no local para cerca de 50 famílias, sob o argumento de que a área estava abandonada há décadas.
Além do MST, o conflito fundiário envolve ainda uma comunidade quilombola, já certificada pelo governo federal, que reivindica a titulação de um território tradicional, também sobreposto a propriedades controladas pelos religiosos.
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Ao mesmo tempo em que pedem na Justiça a reintegração de posse das áreas ocupadas pelos sem-terra e pelos quilombolas, o Mosteiro de Jequitibá e a Fundação Divina Pastora, administrada pela ordem religiosa, também são alvo de investigação do MPBA (Ministério Público do Estado da Bahia) por suspeitas de irregularidades fiscais na criação de gado e na gestão das terras.
