Na véspera da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-viver, que deve reunir 1 milhão de participantes, em Brasília, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, defendeu que as mulheres devem disputar espaço em todos os setores da sociedade brasileira.
Segundo ela, é preciso criar condições para o protagonismo feminino nas mais diversas áreas e combater a ideia de que a mulher deve ocupar apenas papéis tradicionalmente atribuídos a ela. Na avaliação da ministra, esse pensamento de restringir as mulheres, especialmente as negras, a lugares subalternizados está impregnado na matriz histórica do país.
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A ministra participou nesta segunda-feira (24), na capital federal, do seminário Democracia: Substantivo Feminino, promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No campo da política, a ministra defendeu a maior participação feminina em espaços de poder e de tomada de decisão.
No Brasil, a legislação eleitoral estabelece que os partidos devem reservar um percentual mínimo de 30% para as candidaturas femininas, com o objetivo é assegurar a participação mais igualitária entre homens e mulheres. No entanto, levantamento divulgado pelo Observatório Nacional da Mulher na Política da Câmara dos Deputados mostra que a cota não foi respeitada pelos partidos políticos em 700 dos 5.569 municípios, no primeiro turno das eleições municipais, realizado no dia 6 de outubro de 2024.
A ministra lembrou que as mulheres representam 53% da sociedade brasileira e disse que elas devem ter a mesma proporção nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional. “Temos que lutar para ter cotas no serviço público, em todas as instituições, no Judiciário”, completou. Para a ministra, também é fundamental pensar na ampliação da presença da mulher na política sob a ótica do financiamento público de campanha.
Macaé Evaristo contou que, ao ser convidada para chefiar o Ministério dos Direitos Humanos, ouviu alguém comentar que ela teve uma “carreira meteórica.” Ela contou que, na ocasião, rebateu a fala, e disse que
