JBS comprou gado de fazenda em área de conflito no MS onde indígena foi morto

A JBS, multinacional brasileira e maior exportadora de proteína animal do mundo, comprou gado da Fazenda Cachoeira, onde um indígena Guarani Kaiowá foi morto com um tiro na testa no último domingo (16), no município de Iguatemi (MS). O ataque que matou Vicente Fernandes Vilhalva aconteceu por volta das 4h e, de acordo com os indígenas, foi feito por cerca de 20 pistoleiros.Em maio de 2024, a JBS comprou animais da Agropecuária Santa Cruz, empresa proprietária da Fazenda Cachoeira. O gado comprado foi enviado ao frigorífico da empresa da cidade de Naviraí (MS), segundo documento de trânsito do rebanho acessado pela Repórter Brasil. 

Questionada sobre a aquisição de gado de fazenda em área sobreposta à Terra Indígena, a JBS informou que “as compras foram todas regulares segundo o protocolo setorial”. A empresa declarou ainda que a transação segue a política da empresa já que a TI “está em fase ‘delimitada’ e com processo demarcatório sem conclusão’”.

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Segundo os indígenas, o ataque ocorreu em resposta à retomada (ocupação) Pyelito Kue. Desde 3 de novembro os Guarani Kaiowá acampam em uma área da TI (Terra Indígena) Iguatemipeguá I onde está a Fazenda Cachoeira. 

A propriedade é uma das 44 que, de acordo com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), estão sobrepostas à TI Iguatemipeguá I. O território abarca os tekohas (“lugar onde se é”, em guarani) Pyelito Kue e Mbaraka’y e já teve os seus 41.714 hectares identificados e delimitados pelo órgão em 2013. O processo demarcatório, no entanto, não avançou desde então. 

Os indígenas se dizem cansados de esperar e alegam passar fome por viver em uma aldeia de 97 hectares rodeada de monocultura de eucalipto e pastagem de gado. Diante deste cenário,  os Guarani Kaiowá decidiram retomar parte do território que consideram tradicional e, assim, avançar no que chamam de autodemarcação. 

Ao longo das

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