UM AGROTÓXICO proibido na Europa vem ampliando sua presença no mercado brasileiro, desde que autoridades nacionais baniram oito anos atrás outro pesticida da mesma família química por riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.
O crescente uso da substância alternativa, no entanto, também está ligado à proliferação de casos de intoxicação. Entre 2018 e 2025, foram 250 registros, com ao menos 40 mortes no país — seis por acidente e 34 por suicídios mediante ingestão do agrotóxico.
É o que revelam dados oficiais do SUS (Sistema Único de Saúde), compilados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye.
Herbicida amplamente utilizado no controle de plantas daninhas em lavouras, o paraquate foi proibido no Brasil em 2017, por potenciais impactos à saúde humana. Desde então, um “primo” seu, o diquate, teve seu uso multiplicado por dez até 2024, de acordo com monitoramento do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).
Em 2025, mais de 11 mil episódios de contaminação por agrotóxicos reportados no Brasil (Foto: Marcelo Curia/ Public Eye)
Atualmente, apenas um terço das dez mil toneladas utilizadas por aqui é fabricado no país. A maioria é importada, incluindo o Reglone. Produzido pela multinacional Syngenta, é a marca comercial mais conhecida — e também responsável por ao menos 65% das intoxicações. Informações obtidas pela Public Eye revelam que, em 2023, a Syngenta enviou mais da metade da produção de Reglone feita na Inglaterra para o Brasil.
O diquate é proibido tanto na Inglaterra como na Suíça, sede da Syngenta, desde que uma reavaliação da substância feita na União Europeia em 2018 identificou “um alto risco para os trabalhadores, transeuntes e moradores” de áreas próximas a lavouras. Parte do Reglone comercializado no Brasil é fabricado em unidades da Syngenta na China.
Por aqui, onde o uso do diquate é autorizado, os casos de intoxicação vêm chamando a atenção de autoridades. Em 2018, foram seis. No ano passado, 71 — um crescimento de 1.100%.
Gráfico: Rodrigo Bento/ Repórter Brasil
Pode não parecer muito diante do universo de mais de 11 mil episódios de contaminação por agrotóxicos reportados no Brasil em 2025. A velocidade com que os registros se multiplicam, porém, acende um alerta.
“Em 2025, atendemos 17 casos relacionados ao diquate no Rio Grande do Sul, mas só nesses primeiros meses de 2026 já temos 15 caso
