UMA NOVA ONDA de rejeitos minerários pode ter atingido rios da Terra Indígena Waimiri Atroari, vizinha a uma das maiores minas a céu aberto do país, operada pela Mineração Taboca, em Presidente Figueiredo (AM).
Após fortes chuvas atingirem a região no início do mês, os Waimiri Atroari observaram manchas de lama descendo por um igarapé que passa pela área de mineração e deságua na terra indígena.
Em ações de fiscalização ambiental realizadas na semana passada, em conjunto com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), os Waimiri notaram ainda um “odor forte” no Igarapé Tiaraju e no rio Alalaú, o principal da terra indígena.
As operações observaram “considerável aumento de enlameamento das águas” e também “odor muito forte nelas”, o que “afetou a respiração dos integrantes das equipes”, causando “ardência ao respirar e coceira na pele”. Situação semelhante já havia sido registrada em fevereiro.
As informações constam de um ofício enviado na última quarta-feira (8) pelos Waimiri Atroari ao MPF-AM (Ministério Público Federal no Amazonas). O documento foi anexado ao inquérito civil que investiga se a Mineração Taboca é responsável pela contaminação de rios na terra indígena.
ASSINE NOSSA NEWSLETTER
document.addEventListener(“DOMContentLoaded”, function() {
document.querySelectorAll(‘.form-news button[type=”submit”]’).forEach(function(botao) {
botao.classList.add(“envio_newsletter_materia”);
});
});
Submit
A investigação do MPF avançou no ano passado, após análise química da água detectar traços de chumbo, arsênio e outras substâncias potencialmente perigosas no igarapé que alimenta o Alalaú. O caso foi revelado pela Repórter Brasil na série de reportagens “Kinja: o povo indígena com medo do rio”, em parceria com a Rainforest Investigations Network (Pulitzer Center).
Há mais de 40 anos na região, a Mineração Taboca é a maior produtora de estanho refinado do país, metal usado na produção de ligas metálicas, e abastece a cadeia produtiva de empresas como Toyota e Tesla.
No alto, o encontro do Igarapé Tiaraju com o rio Alalaú, rios de águas escuras, em imagem de outubro de 2025
