UM DOS SONHOS de Leirejane Macuxi, liderança da comunidade indígena Morcego, em Roraima, é a retomada de uma área próxima, rica em bens naturais, como igarapés, usados tradicionalmente por seu povo. Conhecido como Lago da Praia, em 2009 o local foi invadido por posseiros — pessoas que ocupam e cultivam a terra sem ter o título de propriedade.
Na época, seu pai, Jairo Macuxi, falecido em 2017, foi linha de frente na luta pela permanência no território. Mas a família teve de deixar a região em razão das ameaças e após verem sua casa ser incendiada. “É um sonho que a gente não deixa para trás. A gente não quer que ele morra, porque sabe que é a única garantia de vida para as futuras gerações”, diz Leirejane.
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Formada por 73 famílias dos povos Macuxi e Wapichana — cerca de 285 pessoas —, a comunidade Morcego fica a 60 km da capital Boa Vista, dentro da TI (Terra Indígena) Serra de Moça, uma das 28 do estado demarcadas em “ilhas”. Ou seja, TIs pequenas, fragmentadas e desconectadas de outros territórios semelhantes. Roraima tem, ainda, cinco terras indígenas demarcadas em áreas contínuas, quando o território tem uma faixa de terra maior e sem interrupções.
Foi por causa desse modelo de demarcação — em ilha — que Morcego perdeu o Lago da Praia e, consequentemente, o acesso a bens naturais essenciais para seu modo de vida. Como agravante, a comunidade sofre com o avanço da monocultura de soja em seu entorno, que vem causando transtornos como o forte barulho das máquinas agrícolas, poeira nas casas e contaminação por agrotóxicos.
:: Leia também: 4 em cada 5 terras indígenas de Roraima estão cercadas por soja, diz estudo ::
Leirejane Macuxi, liderança da comunidade indígena Morcego (Foto: Caíque Souza)
‘Ilhas’ pressionadas
No entanto, a comunidade de Leirejane não é exceção no estado. Segundo um estudo dos cientistas Barbara Lima-Silva e Carson Oliveira, do Progra
