Governo expulsa garimpeiros de área indígena, mas não desmonta rede ilegal do ouro no Pará, aponta relatório

A EXPULSÃO DE GARIMPEIROS da Terra Indígena Munduruku, no sudoeste do Pará, produziu efeitos temporários e mostrou a capacidade de adaptação da economia ilegal do ouro. As operações de desintrusão do governo federal, concluídas há cerca de um ano, deslocaram os invasores para outros territórios protegidos e não foram capazes de desmontar as engrenagens do garimpo ilegal em Jacareacanga (PA).

A conclusão é de um estudo lançado na segunda-feira (11) por pesquisadores do Instituto Mãe Crioula, em parceria com a Uepa (Universidade do Estado do Pará).

A Terra Indígena Munduruku é uma das áreas protegidas da Amazônia mais afetadas pelo garimpo ilegal de ouro. A atividade é responsável por boa parte do desmatamento na região e pela contaminação de rios, sobretudo pelo despejamento de mercúrio no meio ambiente, que contamina peixes, ecossistema e comunidades indígenas.

A primeira fase da operação de desintrusão ocorreu entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, período em que órgãos federais inutilizaram 90 acampamentos, 15 embarcações, 27 máquinas pesadas, 224 motores, entre outros equipamentos, com prejuízo de R$ 112 milhões às atividades ilegais, segundo o governo.

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O estudo destaca a importância desse tipo de operação, como “uma tentativa de retomada do controle territorial” pelo poder público e pelas comunidades indígenas. Contudo, “tais operações não foram capazes de desarticular de maneira estrutural os circuitos espaciais do garimpo ilegal, que se reorganizam rapidamente a partir de redes logísticas, financeiras e políticas já consolidadas”.

Segundo o relatório, “ao invés de enfrentar as bases econômicas e territoriais da ilegalidade”, as políticas públicas adotam uma estratégia “centrada predominantemente na repressão, sem o devido enfrentamento das condições estruturais que sustentam” o garimpo ilegal.

Trata-se de uma medida “pouco eficaz”, que “não alcança os agentes

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