Os valores recebidos pela família da advogada Tonia Andrea Inocentini Galletino, assessora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), estão entre os principais questionamentos feitos durante o depoimento dela à CPMI do INSS, nesta segunda-feira (20). De acordo com o relator da comissão, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), Tonia e seus familiares teriam recebido R$ 20 milhões em recursos oriundos do sindicato.
A depoente foi convocada com base em cinco requerimentos. Inicialmente, os pedidos citavam o fato de a advogada, ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), ter apontado a proliferação de fraudes e a necessidade urgente de regulamentação dos acordos de cooperação técnica (ACTs) firmados com associações e sindicatos no âmbito do conselho.
A maior parte dos questionamentos, no entanto, abordaram a atuação dela e de seus familiares no Sindnapi, sindicato que é acusado de ser uma das entidades responsáveis por descontos associativos cobrados diretamente na folha de aposentados sem a devida autorização. Além de atuar como advogada do sindicato, ela é filha de João Batista Inocentini, um dos fundadores do Sindnapi e presidente desse sindicato por muitos anos, até sua morte em 2021.
Família
A maior parte dos questionamentos do relator teve foco nas relações familiares de Tonia com outras pessoas citadas nas investigações, entre elas seu marido, o advogado Carlos Afonso Galleti Júnior, e outros familiares, como sua mãe, sua irmã, seu cunhado e sua prima, ligados a empresas que receberam pagamentos do Sindnapi.
— Aqui estou fazendo uma constatação numérica: de que a sua família recebeu mais de R$ 20 milhões. Se foi [devido ao] trabalho ou não [que receberam esses valores], a senhora vai ter oportunidade de explicar. Outra coisa: quem colocou a senhora no epicentro do problema se chama Polícia Federal — disse Alfredo Gaspar.
A depoente compareceu à comissão com habeas corpus concedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a dispensava de responder perguntas que pudessem incriminá-la. Mesmo assim, Tonia não se negou a responder os questionamentos. Ela afirmou que sua família recebeu esses valores em razão de serviços efetivamente prestados.
— Quando vocês colocam: “Ah, não sei quantos milhões para a sua família” (…), a minha família trabalhou. Pode-se falar: “Isso é uma certa imoralidade, não deveria estar toda a família lá!”. Mas isso não se trata de crime,