Frigorífico Minerva é condenado por demissões após ato contra horas-extras em Rondônia

ALÉM de trabalhar como faqueira, Michele* também preparava os animais para o abate em um frigorífico da Minerva Foods, localizada em Rolim de Moura (RO). A jornada de trabalho — de 9h20 por dia, de segunda a sábado —  era realizada com pausas reduzidas para descanso. 

Em 8 de setembro de 2025, Michele se uniu a uma manifestação promovida pelo sindicato da categoria, na frente do abatedouro, pedindo a redução das duas horas extras cumpridas todos os dias. De acordo com os trabalhadores, o ato teria sido filmado por uma empresa contratada pela Minerva Foods. No dia seguinte, ela e outros oito colegas foram demitidos. 

O Sintra-Ali (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne, Leite e Cereais), de Rolim de Moura, entrou com um processo contra a companhia de proteína animal por atos antissindicais. 

A Minerva foi condenada em duas instâncias da Justiça do Trabalho. Cada um dos nove trabalhadores vai receber R$ 65 mil referentes a danos morais e a salários não recebidos entre a demissão e a publicação da decisão judicial.

Em nota enviada à Repórter Brasil, a Minerva Foods afirma que não comenta processos judiciais. “Reafirmamos nosso compromisso com o cumprimento da legislação trabalhista, com o respeito aos direitos de nossos colaboradores e à liberdade de associação sindical”, diz o posicionamento.

A nota informa ainda que, ao longo dos últimos anos, a empresa mantém “uma relação respeitosa com o Sindicato dos Trabalhadores de Rolim de Moura (RO), tendo firmado diversos acordos coletivos, incluindo o mais recente, com vigência até 2027”.

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Trabalhadores do frigorífico se queixavam de sobrecarga

As condições descritas pelas testemunhas ouvidas ao longo do processo apontam para empregados sobrecarregados por causa do número insuficiente de funcionários, da alta carga de trabalho e da redução do tempo de pausa térmica e do intervalo para almoço.&nb

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