Fazenda de café tem selo socioambiental suspenso após condenação por escravidão

A RAINFOREST ALLIANCE suspendeu o selo de boas práticas concedido a uma fazenda de café após seus controladores serem condenados pela Justiça, no início de setembro, por submeter quatro trabalhadores a condições análogas à escravidão. As violações teriam ocorrido na Fazenda Três Marias, em Altinópolis (SP), entre abril e julho de 2025, quando a propriedade era chancelada pela organização. 

A Rainforest Alliance é um dos mais reconhecidos padrões internacionais de sustentabilidade no setor cafeeiro. Em seu Relatório Anual de 2023, a organização afirmou que 17% de todo o café produzido no mundo era certificado pelo seu programa.

Segundo a Rainforest Alliance, a decisão foi tomada após ser comunicada da condenação pela Repórter Brasil, por meio de um e-mail questionando-a a respeito do caso. A organização informou ainda ter iniciado uma análise de integridade do caso. “Com base nos resultados dessa análise, serão adotadas as medidas cabíveis de acordo com os requisitos e procedimentos da Rainforest Alliance”, pontuou. 

Na terça-feira (15), entretanto, a certificação ainda aparecia na plataforma da organização. Segundo sua assessoria de imprensa, isso acontece porque o site demora a ser atualizado.

A Rainforest Alliance disse, ainda, que em abril de 2025 e abril de 2026 a Fazenda Três Marias passou por auditorias “que incluíram entrevistas com trabalhadores e avaliações das condições de trabalho”, e que em ambas as avaliações “não foram identificadas evidências das violações mencionadas no processo judicial”.

Condenação abrange empresas e representantes de um mesmo grupo econômico

Na sentença de primeira instância, o juiz Renato da Fonseca Janon, da Vara do Trabalho de Batatais (SP), condenou três empresas do grupo empresarial e seus representantes a pagarem R$ 65 mil aos trabalhadores em indenizações por danos morais “em decorrência da submissão a condições degradantes de labor e moradia e redução a condição análoga à de escravo”. Determinou, ainda, o registro das vítimas, entre outras medidas. 

A condenação abrange as empresas Agropecuária Três Marias Holding Participações Ltda, Agropecuária Maria Castro Ltda e Maria Goreti de Castro e Outros, e seus representantes Maria Goreti de Castro Salomão, Alissar Salomão Botrel e Antônio Salomão Neto. Segundo a sentença, todos compõem um mesmo grupo econômico. 

Os empregadores podem recorrer da decisão. Questionados pela Repórter Brasil, eles não responderam até a publicação des

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