ENQUANTO POLÍTICOS discutem em Brasília o fim da escala de trabalho 6×1 no país, algumas empresas decidiram por conta própria atender à demanda de trabalhadores e abolir o regime. Há exemplos de uma rede de farmácias, supermercados, lojas de departamento e até um hotel de luxo que concederam um dia a mais de folga por semana a seus empregados, adotando a escala 5×2 e se antecipando a uma mudança que especialistas no mercado de trabalho veem como inevitável.
“O Brasil está atrasado nessa mudança, mas ela vai ocorrer”, prevê Marcelo Manzano, professor do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da universidade. “Há empresas que já entenderam isso e estão se adiantando, até para poderem se adaptar à nova realidade.”
O hotel Copacabana Palace, um dos mais luxuosos do Rio de Janeiro, é uma delas. No primeiro semestre de 2025, ele aboliu de forma progressiva a escala 6×1 imposta às cerca de 350 pessoas que compõem sua equipe operacional, incluindo todas na 5×2.
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Segundo o Copacabana Palace, que hoje pertence à rede internacional Belmond, a folga semanal extra não alterou a carga horária semanal dos trabalhadores nem seus salários. A administração informou à Repórter Brasil que a mudança foi tomada, principalmente, para “melhorar a qualidade de vida dos colaboradores, promovendo maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, mas que também foi feita para que o estabelecimento se adaptasse a “desafios crescentes de atração e retenção [de empregados] no modelo 6×1”.
“Nenhum jovem mais quer trabalhar numa jornada exaustiva de seis dias de trabalho por semana”, ressaltou Ricardo Patah, presidente nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, setor formado em maior parte por trabalhadores ainda submetidos à 6×1.
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