Há exatos 62 anos, um golpe militar instaurou no Brasil um regime autoritário que duraria 21 anos. Além de retirar direitos constitucionais, exercer forte repressão política e censura à imprensa, a ditadura militar brasileira (1964-1985) perseguiu, torturou e matou opositores, muitos deles ainda com seus corpos desaparecidos.
Mesmo após a redemocratização, na década de 1980, o país enfrenta desafios no processo de memória, reparação e justiça, especialmente em relação aos desaparecimentos forçados.
Notícias relacionadas:Rio terá banco genético para ajudar na identificação de desaparecidos.Para o coordenador do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Edson Teles, a principal dificuldade é a ausência de um programa de estado permanente de busca e identificação de desaparecidos no país.
“Não há um programa nacional, um programa fixo, uma institucionalidade para busca de desaparecidos e trabalho forense de identificação humana”, disse.
Ele mencionou que, em países onde os desaparecimentos foram investigados, foi criada uma política permanente de busca e de identificação. A medida seria uma forma de garantir estabilidade de normas e práticas de estado, independentemente de políticas dos governos vigentes.
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Pesquisadores do CAAF trabalham atualmente na identificação de 1.049 caixas com ossadas humanas, que foram encontradas na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, na capital paulista, em 1990. Entre os sepultados – pessoas consideradas indigentes – estavam desaparecidos políticos, vítimas da ditadura militar.
Os estudos levaram à identificação dos restos mortais de quatro desaparecidos do período: Dimas Antônio Casemiro e Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, identificados em 2018; e Denis Casemiro e Grenaldo de Jesus Silva, em 2025.
Antes das ossadas chegarem à Unifesp, duas vítimas da ditadura já tinham sido identificadas: Frederico Eduardo Mayr (1992) e Flávio Carvalho Molina (2005).
No entanto, a pesquisa na instituição depende de renovação periódica de contratos de financiamentos e sofreu prejuízos durante o governo federal anterior, que suspendeu parte dos recursos destinados à identificação das ossadas.
“No início do governo Bolsonaro, vigia um acordo que se chamava Grupo de Trabalho Perus. E o que o Bolsonaro fez foi extinguir esse grupo de trabalho [em 2019], o que dificultou qualquer repasse e financiamento”, relatou Ed
