Extrema-direita vê indígenas como ‘descartáveis’, diz secretário de pastoral da Igreja Católica

A EXTREMA-DIREITA considera os povos indígenas um obstáculo à exploração econômica de suas terras e estaria disposta a eliminar seus direitos para favorecer interesses do agronegócio e da mineração. 

A avaliação é de Luis Ventura Fernández, secretário-executivo do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), órgão vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), da Igreja Católica. 

Em entrevista à Repórter Brasil, ele afirma que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) pode acelerar a aprovação de projetos que permitem a exploração de terras indígenas por terceiros e dificultam novas demarcações. “A perspectiva da extrema-direita é o genocídio, é o desaparecimento, é o descarte dos povos indígenas”, afirma.

O temor de Ventura ganhou força depois das eleições de 4 de outubro, que ampliaram a presença do PL e do Novo no Congresso Nacional. 

O partido de Flávio elegeu 121 deputados federais, contra 97 em 2022, enquanto o Novo saltou de três para dez cadeiras. Juntas, as duas legendas somadas ao Republicanos, outro partido ligado à direita, terão 172 deputados — aproximadamente um terço da Câmara. 

No Senado, o PL deve contar com 28 dos 81 parlamentares a partir de 2027. O Novo elegeu três representantes. “A nova configuração do Congresso Nacional piora a situação”, afirma Ventura, que vê um risco maior na concentração de parlamentares em partidos que votaram sistematicamente contra os direitos indígenas.

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O próprio Cimi identificou 83 propostas legislativas contrárias aos direitos territoriais indígenas apresentadas ao longo da atual legislatura, entre 2023 e 2026. Entre as iniciativas que podem ganhar força está a PEC 48, proposta de emenda à Constituição que estabelece o chamado marco temporal para a demarcação de terras indígenas. 

“Haveria um risco evidente de um governo Flávio, junto com a nova composição do Congresso Nacional,

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