Estudo revela evolução do garimpo ilegal e novas táticas de exploração

Nas terras indígenas Munduruku, no Pará, os garimpeiros estão substituindo grandes maquinários por equipamentos menores e menos potentes. A mudança ocorre após a intensificação de ações de retirada de invasores em Terras Indígenas (TIs), durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A desaceleração das atividades e o retrocesso técnico podem parecer uma decadência do setor, mas na verdade indicam uma estratégia para driblar a fiscalização e recuperar o elevado faturamento.

A conclusão faz parte do relatório O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão, lançado hoje (11) pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), em parceria com o Instituto Mãe Crioula. . Junto com os  Yanomami e os Kayapó, os Munduruku são o grupo indígena mais atingido pelo garimpo no Brasil.

Notícias relacionadas:Líder indígena Raoni passa por exames e segue internado em Sinop.Pesquisa revela que 60% dos quilombos sofrem invasões e garimpo.Estudo mapeia impactos do garimpo ilegal sobre trabalhadores cooptados.O estudo aponta, ainda, que o mesmo sistema financeiro que mantém relações com facções criminosas, reveladas por operações como a Carbono Oculto, também sustenta as estruturas de extração de minério. Esse suporte financeiro também eliminou a distinção entre o garimpo artesanal e a mineração industrial de larga escala. Operações recentes da Polícia Federal  expuseram esses esquemas que envolvem fundos de investimento, lavagem de dinheiro e organizações criminosas.

Mão de obra

O estudo também investigou a origem da mão de obra que trabalha nos garimpos ilegais no Pará, formada em sua maioria por maranhenses. Esse cenário consolida uma transformação de migração intrarregional, iniciada em 1990. Os trabalhadores realizam deslocamentos dentro da mesma região, alternando entre a lavoura e o garimpo. 

A equipe analisou as dinâmicas socioespaciais de alguns municípios, como Jacareacanga e Itaituba, onde vivem os Munduruku. A etnia denuncia, há alguns anos, as violações de direitos causadas pela exploração da terra por populações não indígenas.

Os pesquisadores ressaltam que as redes econômicas que mantêm os pontos de garimpo têm extrapolado os postos de combustíveis, as aeronaves e as embarcações. Pequenos comércios e prestadores de serviço locais garantem a existência dos garimpos e dependem deles, simultaneamente. O pesquisador Fabiano Bringe, um dos autores do estudo, define essa relação como “minero-dependência”.

Muitos indígenas aderem ao garimpo por fa

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