UMA disputa por terra pública no norte de Mato Grosso envolveu o escritório fundado pelo atual presidente da CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos), o advogado e professor brasileiro Rodrigo Mudrovitsch.
Até a última quinta-feira (23), a banca era responsável pela defesa de fazendeiros que reivindicam a posse da Fazenda Cinco Estrelas, no município de Novo Mundo. O escritório havia assumido o caso após uma decisão da Justiça Federal, publicada em 19 de fevereiro, determinar a desocupação de parte da área para a criação de um assentamento para famílias sem terra.
Mudrovitsch foi indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2021 — o órgão tem como missão julgar violações de direitos humanos nas Américas. Ele atuou como juiz até assumir, em janeiro, a presidência para o biênio 2026-2027. A CIDH, contudo, não exige que os magistrados, nem mesmo o presidente, afastem-se de seus escritórios no período em que exercem o cargo.
O escritório fundado por Mudrovitsch atuou na defesa de membros da família Rodrigues da Cunha, que tentam manter a posse da Fazenda Cinco Estrelas, área considerada pública pela Justiça e marcada por uma disputa com famílias sem terra há mais de duas décadas.
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Na fazenda, também foi registrado um dos maiores casos de trabalho escravo da história do Mato Grosso, antes de o local ser administrado pelos Rodrigues da Cunha. Em 2003, 140 trabalhadores foram resgatados em condições degradantes na Fazenda Cinco Estrelas em uma fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Uma decisão favorável aos sem-terra foi proferida em março deste ano depois de o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) confirmar que a fazenda integra o patrimônio da União desde 1977. A ordem determinou a saída dos ocupantes de cerca de 2 mil hectares, que foram destinados à reforma agrária. O processo, no entanto, encontrava-se para
