A Repórter Brasil lançou um relatório que analisa medidas de descabonização a partir da proposta chamada “Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada”, uma iniciativa adotada pelo governo brasileiro após a COP 30, em Belém. O estudo mostra como o país se apresenta como liderança global na construção de uma rota para superar o uso de petróleo, carvão e gás, ao mesmo tempo em que expande internamente a exploração de combustíveis fósseis, biocombustíveis, a mineração voltada à eletrificação e megaprojetos de energia renovável.
O relatório “Caminho certo? Soluções para uma transição energética justa escondem riscos para os direitos humanos, as comunidades tradicionais e até mesmo o meio ambiente” está disponível em português, inglês e espanhol.
O estudo detalha como a agenda dos biocombustíveis, apoiada por políticas públicas e pela Lei do Combustível do Futuro, se baseia na expansão de cana, milho e soja sobre biomas como o Cerrado, com impactos como desmatamento, trabalho escravo e conflitos fundiários. Casos recentes de flagrante de trabalho escravo na cadeia da cana mostram centenas de trabalhadores resgatados em condições degradantes e de servidão por dívida, em fazendas ligadas a grandes usinas e tradings. Na soja, o estudo revisita casos emblemáticos, como o do Agronegócio Estrondo, complexo de fazendas acusado de grilagem, violência contra comunidades geraizeiras e desmatamento ilegal em área estratégica para a produção de biodiesel.
Na eletrificação, o relatório mostra que minerais críticos e terras raras, essenciais para baterias, carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, vêm sendo explorados à custa da integridade de territórios indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária e unidades de conservação, especialmente na Amazônia. A pesquisa também reúne milhares de processos minerários ativos, alguns sobrepostos ou próximos de áreas protegidas e de territórios de povos isolados, além de suspeitas e denúncias de contaminação de rios, riscos associados a barragens de rejeitos e pressões sobre comunidades que já convivem com o garimpo e outras atividades de alto impacto.
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