O CONFINAMENTO BOVINO — sistema em que animais permanecem fechados por até quatro meses em currais, completamente dependentes do ser humano para comer e beber água — cresce no Brasil a um ritmo mais acelerado do que a expansão da pecuária.
Ativistas, no entanto, criticam o modelo por não garantir o bem-estar animal. Além disso, especialistas apontam que a recente flexibilização da legislação ambiental aprovada pelo Congresso Nacional abre brechas para impactos como a contaminação de rios.
Respondendo por um a cada cinco bovinos abatidos no Brasil, o confinamento aumentou 148% em 20 anos, de acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), passando de 3,5 milhões de cabeças em 2004, para 8,8 milhões em 2024. No mesmo período, o rebanho nacional cresceu 11%, chegando a 194 milhões de animais.
O principal motivo para o aumento é a demanda aquecida, especialmente da China, que responde por 53% das exportações brasileiras, segundo pesquisadores ouvidos pela Repórter Brasil.
“O confinamento acelera a produção”, explica Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste. “Nesse segmento, o animal é abatido mais jovem, com 24 a 30 meses. Já um animal criado a pasto pode ser abatido mais velho, com 36 e até 48 meses”, continua.
Os pesquisadores apontam que, geralmente, os animais são confinados para a engorda no período de seca, de maio a outubro. O sistema também pode ocorrer na época das chuvas, porém, essa opção aumenta os riscos relacionados ao manejo dos resíduos produzidos pelo gado, à erosão do solo e ao bem-estar animal.
“Como se adensam animais em uma pequena área, é produzido também, por consequência, um monte de resíduo na forma de fezes e urina”, afirma Palhares. “Esses resíduos têm que ser manejados de forma correta para não causar impacto ambiental. É diferente de um sistema a pasto, em que os animais estão espalhados em uma grande área e vão distribuindo as suas fezes e urina naquela grande área”.
Defensores dos direitos dos animais criticam o confinamento por entender que o modelo não atenderia a padrões de bem-estar animal. Ativistas dizem que esse tipo de criação causa “sofrimento animal” por criar um ambiente “insalubre”, onde o gado vive em meio à terra e aos próprios dejetos, sem proteção contra o sol e a chuva.
“O ambiente desses animais é a pasto, em meio a árvores, soltos, com bastante espaço para formar grupos”, afirma Luiza Schneider, vice-presidente de i
