Como fornecedor da Aurora entrou na mira do MPT por trabalho escravo de paraguaios no MS

UM FORNECEDOR DE LENHA da Aurora, gigante do setor de carnes processadas, foi investigado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) pela submissão de 15 trabalhadores paraguaios a condições análogas à escravidão na Fazenda São Miguel, em Figueirão (MS), em abril de 2026.

A produção da Aurora é exportada para cerca de 80 países, segundo informações no site da empresa, e comercializada nos maiores supermercados do Brasil, como Carrefour e Assaí. No site do Assaí, a marca tem espaço de destaque, com divulgação de seus produtos. 

Os trabalhadores atuavam na extração de madeira, usada como biomassa energética pela indústria de alimentos como a de carnes e grãos. Segundo o MPT, o grupo trabalhava sem registros, vivia em barracos de lona improvisados, atuava sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e não tinha infraestrutura básica de higiene à disposição. 

A empresa Império Biomassas foi autuada por manter trabalhadores sem registro em carteira. Outras autuações, como manter trabalhadores em situação análoga à de escravos, ainda serão finalizadas, segundo apurou a reportagem. 

Procurada, a Império Biomassas não respondeu até a publicação desta reportagem.

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Após o resgate, realizado por auditores fiscais do Trabalho, o MPT abriu um inquérito civil para investigar o caso. A Repórter Brasil teve acesso ao documento. Em depoimento ao órgão, Everaldo Lucas da Silva, representante da Império Biomassas, relatou que vendia a lenha cortada na Fazenda São Miguel para a Aurora. Em um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o MPT, Silva se comprometeu a fazer o registro trabalhista das vítimas resgatadas e o acerto das verbas rescisórias. 

Juntamente com outros três investigados, ele se responsabilizou, ainda, pelo pagamento de R$ 718 mil em indenizações: R$ 518,7 mil por dano moral individual aos trabalhadores e R$ 259,3 mil por dano moral colet

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