Celso Amorim afirma que vídeo do governo americano reforça possibilidade de ações unilaterais na região

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

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Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional  da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (12), o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou que um vídeo divulgado pelos Estados Unidos mostra que a doutrina de segurança daquele país autoriza ações militares em outros países para assegurar o domínio regional.
O vídeo cita a Doutrina Monroe, do início do século 19, que orientaria as ações do país relativas ao fim da colonização europeia na região. No vídeo, os EUA defendem uma modernização da doutrina. É mostrada a captura militar do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, sob a acusação de narcoterrorismo. Em seguida, é dito que o domínio norte-americano não deve ser questionado.
Celso Amorim disse aos deputados que a oposição do governo brasileiro à classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas tem a ver justamente com a possibilidade de ações que possam ferir a soberania do Brasil. Segundo ele, o governo americano nunca se manifestou sobre um plano do governo brasileiro de ampliar a cooperação entre os dois países contra as organizações criminosas. Ele citou outro exemplo de que a mudança de visão sobre essas organizações pode justificar ações unilaterais questionáveis.
“O fato de [uma organização] ser classificada como terrorista dá poder aos Estados Unidos para agir militarmente. Já não estou falando nem só da Venezuela, mas mesmo dos 200 ou mais que morreram em operações no Pacífico e no Caribe, e sem nenhuma prova. Pode ser até que tenha realmente alguns ou vários narcotraficantes no meio, mas não houve nenhuma preocupação com provas. Eles foram atacados militarmente porque são considerados uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.”
Celso Amorim ainda afirmou que as ações do governo dos EUA contra duas pessoas ligadas ao crime organizado no Brasil em julho acabaram afetando um trabalho da Polícia Federal contra a organização, justamente pela falta de comunicação entre os agentes.
Ajuda importante
Para o deputado Luiz Lima (Novo-RJ), qualquer ajuda no combate às organizações criminosas é importante. Ele citou o exemplo do seu estado.
“O TRE do Rio de Janeiro alterou 66 locais de votação porque o crime organizado interferia na votação, interferia na democracia, no resultado da eleição brasileira. É por isso a

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