<![CDATA[O mercado brasileiro de viagens corporativas deve movimentar R$ 205,6 bilhões em 2026, um crescimento de cerca de 5% e novo recorde nominal. O resultado confirma a força de uma atividade que movimenta uma extensa cadeia de serviços, mas também antecipa o desafio para o ano que vem: crescer em um ambiente econômico que exigirá mais eficiência, planejamento e retorno das empresas.Esse foi o cenário apresentado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) na última quarta-feira (9), durante o Travel Connect 2026, no WTC Golden Hall, em São Paulo. Em palestra sobre os indicadores e as tendências que vão moldar a gestão de viagens no próximo ano, Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da Entidade, mostrou como economia, juros, crédito e tecnologia devem influenciar as decisões do setor.Crescimento menor aumenta a seletividadeAs projeções econômicas ajudam a explicar por que a gestão das viagens tende a ganhar ainda mais atenção. Após um crescimento estimado de 2% em 2026, a expectativa indicada pelo Boletim Focus é de avanço de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, com recuperações de 1,9%, em 2028, e 2%, em 2029.Os juros também continuarão pesando sobre empresas e consumidores. A apresentação aponta a Selic em 12% ao ano (a.a.) em 2027, ainda elevada apesar da trajetória esperada de queda.A pressão aparece também no crédito. O volume de operações empresariais com atraso superior a 90 dias chegou a R$ 86,1 bilhões em junho, recorde da série apresentada. Pequenas e médias empresas concentram 75,6% desse total, sinal de um ambiente que exige mais atenção aos custos e ao caixa.“O mercado de viagens corporativas continua crescendo, mas 2027 vai exigir decisões mais criteriosas. Não se trata apenas de controlar custos, mas de entender onde a viagem gera valor e como torná-la mais eficiente”, afirmou Dietze.Viagens mantêm fôlego e movimentam uma ampla cadeiaApesar do ambiente mais restritivo, o setor segue avançando. O Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), registra crescimento trimestral contínuo, embora em ritmo mais moderado. A alta, que chegou a 12% em junho de 2025, ficou em 5% em junho deste ano.No acumulado anual, a projeção de R$ 205,6 bilhões em 2026 consolida a dimensão das viagens de negócios e sua capacidade de movimentar