<![CDATA[A queda de 14,45% nas passagens aéreas registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em abril, chamou a atenção por destoar da situação vivida pela aviação. Enquanto o indicador apontava redução das tarifas, as companhias aéreas acompanhavam a disparada do petróleo no mercado internacional, as tensões geopolíticas envolvendo o Irã e um reajuste superior a 50% no Querosene de Aviação (QAV), principal custo operacional do segmento.O resultado contrariou a lógica esperada para um período de forte pressão sobre os combustíveis, quando a tendência seria de alta (e não de queda) das tarifas. A explicação para essa divergência está menos no comportamento do mercado e mais na metodologia utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para compor o IPCA.Segundo análise do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o índice divulgado em abril refletiu tarifas pesquisadas ainda em fevereiro, antes do choque recente nos custos das companhias.Queda no índice não traz alívio para o mercadoNa avaliação da FecomercioSP, a metodologia ajuda a contextualizar os números divulgados e evita interpretações distorcidas sobre a dinâmica da aviação no período. A queda registrada em abril não significa que o consumidor encontrou passagens mais baratas naquele momento, mas que o índice captou preços ofertados antes da pressão mais intensa sobre os custos das empresas.A tendência é que os efeitos da alta do combustível apareçam de forma mais clara nos próximos indicadores de inflação, especialmente a partir de junho, quando os levantamentos já devem incorporar as tarifas reajustadas após a elevação do QAV e a pressão internacional sobre os derivados de petróleo.Para o Turismo, a alta dos custos operacionais tende a pressionar margens, encarecer viagens e afetar a demanda nos próximos meses, em um ambiente ainda marcado pela volatilidade cambial e pelas incertezas do mercado internacional.]]
