<![CDATA[Produtividade ‘anda de lado’ nos Serviços, responsáveis por 72% dos empregos]]

<![CDATA[Boa parte do desafio brasileiro para crescer está no setor terciário, o de Serviços, que reúne atividades tão distintas quanto Comércio, transporte, alojamento, Tecnologia da Informação (TI), serviços financeiros, alimentação, educação e saúde. É o segmento que mais emprega no País, ao responder por 72,2% dos postos de trabalho, ante 57% em 1995. Justamente por concentrar a maior parte da mão de obra, é dessa atividade que depende boa parte dos crescimentos da produtividade agregada e da renda. Contudo, hoje, o setor mais importante da economia está “andando de lado”.O problema é que, assim como muitos países emergentes, o Brasil falhou em garantir uma transição consistente para uma economia de serviços produtiva ao longo das últimas décadas. “É relativamente fácil ganhar produtividade ao transferir trabalhadores do campo para a Indústria; o passo seguinte, ampliar um setor terciário moderno e produtivo, é bem mais difícil. A gente vai ser uma economia cada vez mais dependente desse setor. A pergunta é: qual economia de serviços a gente quer ser?”, questionou Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), durante seminário na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Convidado pelo Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Entidade, o pesquisador apresentou uma radiografia da produtividade por setores que ajuda a explicar o desempenho da economia. A Agropecuária foi o único setor com crescimento sólido desde 1995 (5,8% ao ano — a.a.), mas ainda em nível baixo e aquém dos mais produtivos do mundo nesse segmento. A Indústria, embora recue 0,5% a.a. no mesmo período, mantém o maior nível de produtividade entre os demais setores. Já os Serviços praticamente “andaram de lado”, o que pesa sobre o desempenho geral da economia.Radiografia dos ServiçosDentro do setor, o segmento de transportes apresentou o pior recuo de produtividade após 2010: 2,5% a.a. no mesmo intervalo, influenciado pelo avanço da informalidade e das plataformas digitais. O Comércio oscila, com leve queda.Como se observa, a produtividade por hora de trabalho no setor como um todo permanece em queda: entre 1995 e 2025, a taxa foi de 0,8% — mais baixa do que entre 1995 e 2010 (1,2%).Mesmo os serviços considerados modernos, como os de tecnologia, têm no Brasil produtividade equivalente à dos serviços tradicionais nos Estados Unidos, como restaurantes e

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