<![CDATA[José Pastore*“O seu chefe é um algoritmo!” Com esse título, os pesquisadores europeus Antonio Aloisi e Valerio De Stefano publicaram um livro que vê o algoritmo como básico para caracterizar as relações do trabalho com vínculo empregatício1. O tema é dos mais polêmicos e tem ocupado grande parte dos debates e decisões dos tribunais do trabalho no Brasil e no exterior. Vale a pena, portanto, compreender o que são os algoritmos, bem como suas funções e seus limites.O que são algoritmos?São conjuntos de instruções lógicas, abstratas e hierarquizadas destinados a executar tarefas predeterminadas. São usados para resolver problemas, organizar dados ou tomar decisões de forma automática. As instruções dos algoritmos são campeãs de objetividade, uma vez que não requerem muito esforço mental para serem operadas, sendo seguidas de forma automática. Muitos deles fazem operações que os seres humanos não conseguem fazer com alta velocidade de respostas, como a tradução de grandes textos em poucos segundos, a interpretação da mesma fala em várias línguas, o reconhecimento artificial instantâneo e outras. Com isso, eles eliminam muitas tarefas manuais, ganham escala, padronizam a execução de ações, reduzem os erros humanos e operam com grande escalabilidade — além de, em muitos casos, proporcionarem claros ganhos de produtividade. As ações mais conhecidas dos algoritmos estão presentes nas áreas de Logística e Compras. No primeiro caso, são eles que conduzem as pessoas em rotas rápidas nos sistemas de transporte. No segundo, proporcionam a realização de compras de modo rápido e diferenciado. Assim, abrem novas oportunidades de negócios e trabalho. Com base na observação de ações anteriores, os algoritmos ganham memória e rapidamente captam os gostos e as tendências das pessoas. Essa memória é fruto do estímulo repetido dos próprios usuários. Quando os algoritmos percebem que uma pessoa gosta de determinado conteúdo, passam a recomendar conteúd