<![CDATA[José Goldemberg, um dos principais nomes da ciência brasileira, foi homenageado como Personalidade Acadêmica de 2026 na terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Realizada na última terça-feira (11), no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a cerimônia reconheceu mais de sete décadas de contribuição do físico, professor e pesquisador à ciência, à educação, às políticas públicas e à sustentabilidade.Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a premiação foi criada em 2024 para valorizar obras acadêmicas, científicas e técnicas e ampliar a visibilidade de autores e editoras desses segmentos. A edição de 2026 reuniu 27 categorias, divididas entre os eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.Ao receber a homenagem, Goldemberg revisitou uma trajetória que aproximou pesquisa científica e atuação pública. “Tive a oportunidade incomum de participar das atividades científicas do País como pesquisador e na formulação de políticas educacionais e científicas”, afirmou. Para ele, essa experiência também pode ajudar novas gerações a compreenderem “a complexa relação entre pesquisa científica desinteressada e o que o governo e a sociedade que a financia esperam dela”.A presidente da CBL, Sevani Matos, ressaltou que a premiação reconhece a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica brasileira. Segundo ela, as obras premiadas refletem a diversidade de temas e perspectivas que ampliam a produção de conhecimento e deixam contribuições duradouras à sociedade.Referência em energia e sustentabilidadeNascido em Santo Ângelo (RS), em 1928, Goldemberg construiu uma trajetória que o tornou referência internacional em energia e desenvolvimento sustentável. Bacharel e doutor em Física pela Universidade de São Paulo (USP), iniciou sua atividade científica na década de 1950 e dedicou os primeiros anos da carreira à física nuclear, com períodos de pesquisa nas universidades Stanford e de Paris. Mais tarde, voltou seus estudos para energia, meio ambiente e mudanças climáticas.Um dos marcos dessa trajetória foi a pesquisa sobre o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar como fonte renovável de energia. De acordo com Goldemberg, esses estudos contribuíram para legitimar o programa brasileiro de biocombustíveis, área em que seu trabalho ajudaria a projetar o Brasil internacionalmente como modelo de transição energética e desenvolvimento sustentável.A experiência também o levou à Universidade de Princeton e à colaboração com pesquisadores de outros países. De