<![CDATA[Fachadas inativas]]

<![CDATA[Do luxo da Rua Oscar Freire, nos Jardins, às lojas populares da Rua 25 de Março e arredores, no Centro, não faltam na cidade de São Paulo referências de sucesso do comércio de rua. Prédios paulistanos com integração entre residências e comércio também são referências, como os ícones arquitetônicos Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, ou o Edifício Copan, na região da Praça República. Mesmo com essa tradição, a cidade enfrenta dificuldades para ocupar os espaços comerciais de novos empreendimentos. Muitas das chamadas fachadas ativas — áreas destinadas ao comércio e serviços no térreo de edifícios residenciais, incentivadas pelo Plano Diretor de 2014 e pela Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, de 2016 — estão ociosas. A desocupação tem causas múltiplas e complexas, que passam por questões culturais, localização e projetos inadequados. Fachada ativa é o nome do mecanismo econômico que incentiva o mercado imobiliário a construir edifícios de uso misto. Em troca da reserva de um espaço comercial no térreo, há desconto no valor pago para aumentar o potencial construtivo do terreno. Assim, é possível lucrar com a venda de mais unidades residenciais numa mesma área de solo. O uso misto traz uma série de vantagens para a cidade, incluindo mais segurança, pois as calçadas ganham mais iluminação e maior circulação de pedestres. Há, ainda, uma potencial diminuição de poluição e congestionamentos, porque os residentes ganham opções de produtos e serviços mais perto de casa, reduzindo deslocamentos de carro. A realidade das ruas, porém, é que a maior parte das fachadas ativas segue sem uso. Entre 60% e 80% delas estavam disponíveis para compra ou aluguel até o ano passado, segundo pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Os dados mostram a Vila Mariana, na Zona Sul, com mais de 80% de vacância nas fachadas ativas. Lá, quando a pesquisa foi realizada, era possível encontrar imóveis dessa natureza

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