<![CDATA[Endividamento em alta não freia o turismo no Brasil]]

<![CDATA[Guilherme Dietze*O elevado nível de endividamento das famílias brasileiras tem ocupado espaço recorrente no noticiário recente. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cerca de 80% das famílias declaram possuir algum tipo de dívida. À primeira vista, esse número pode sugerir um cenário preocupante, associado à perda de renda e à fragilidade financeira. No entanto, uma análise mais cuidadosa revela que essa percepção, amplamente difundida, não reflete integralmente a realidade econômica do país.O endividamento, por si só, não é um indicador negativo. Em economias modernas, o crédito desempenha papel fundamental ao viabilizar o consumo, especialmente em um contexto de renda média relativamente baixa, como o brasileiro. Para grande parte das famílias, o acesso ao crédito permite a aquisição de bens e serviços que não seriam possíveis apenas com a renda corrente, contribuindo para a movimentação da economia. Em outras palavras, o crédito funciona como um instrumento de antecipação de consumo, essencial para sustentar o dinamismo econômico. O ponto central, portanto, não está em dever, mas na capacidade de honrar esses compromissos dentro dos prazos estabelecidos.Nesse sentido, embora o percentual de famílias endividadas tenha crescido, a taxa de inadimplência permanece relativamente estável em comparação ao início do ano anterior. Esse dado sugere que, em média, as famílias têm conseguido administrar suas dívidas, seja por meio da renda mensal, seja por renegociações. Esse comportamento também encontra respaldo em um mercado de trabalho mais resiliente, que reforça a confiança do consumidor ao assumir compromissos financeiros. Parte desse movimento pode estar associada a fatores pontuais, como o uso inadequado de recursos em apostas, mas, na média, não há evidência de um descontrole generalizado.Esse quadro tem implicações diretas para o setor de turismo. Trata-se de uma atividade fortemente dependente do crédito, uma vez que grande parte dos serviços — como passagens, hospedagens e pacotes — é adquirida de forma parcelada, seja no cartão de crédito, seja via boleto. Observa-se, inclusive, crescimento na concessão de crédito: operações no cartão à vista ou parceladas sem juros avançam cerca de 6% no início do ano, enquanto o crédito parcelado com incidência de juros cresce mais de 20%. Esse avanço indica não apenas maior oferta de crédito, mas também demanda consistente por parte das famílias.É evidente

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