<![CDATA[O próximo El Niño pode chegar ao caixa das empresas antes mesmo de atingir suas instalações. Interrupções no transporte, escassez de insumos e pressão sobre água e energia podem percorrer a cadeia de valor e comprometer operações. Diante de previsões, antecipar essas vulnerabilidades deve fazer parte da gestão do negócio.“A omissão não resolve. Fazer de conta que esse é um tema que não é relevante não vai ajudar o negócio. Quem acompanha vai conseguir tomar decisões bem embasadas”, afirmou Ana Luci Grizzi, conselheira independente e consultora sênior.Durante a reunião do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), presidido pelo professor José Goldemberg, Ana apresentou os impactos esperados do El Niño 2026/2027 e importantes medidas de preparação e adaptação para reduzir as vulnerabilidades e fortalecer a resiliência dos negócios.As projeções indicam mais chuvas e eventos extremos no Sul, secas intensas no Norte e Nordeste e calor, baixa umidade e pressão sobre reservatórios no Centro-Oeste. Mas os efeitos não respeitam fronteiras regionais. Uma empresa pode estar distante do evento climático e ainda sofrer com a interrupção de uma rota, a falta de matéria-prima ou problemas na produção de um fornecedor.Por isso, o mapeamento deve alcançar ativos, fornecedores críticos, corredores logísticos e dependência de água e energia. Essa avaliação, segundo Ana, ainda avança lentamente na alta gestão. Em consultas realizadas pela especialista, apenas entre 10% e 15% dos conselhos ou comitês haviam discutido especificamente os riscos do El Niño e a preparação dos negócios.Identificadas as fragilidades, é preciso definir alternativas de abastecimento e transporte, avaliar estoques de segurança e estabelecer responsáveis e protocolos para situações críticas.Previsibilidade muda a gestão do riscoA capacidade de antecipar eventos extremos também traz implicações jurídicas. Se o ri