Agrotóxico mais vendido no Brasil, o glifosato é alvo de ao menos 1.006 ações na Justiça brasileira por danos à saúde de trabalhadores e comunidades vizinhas às plantações, segundo levantamento exclusivo da Repórter Brasil. A Bayer, uma das principais fabricantes do herbicida, responde a apenas seis processos (0,6% do total).
O cenário contrasta com o que ocorre nos Estados Unidos, onde a Bayer já desembolsou mais de 11 bilhões de dólares (R$ 59 bilhões) para encerrar cerca de 100 mil processos de vítimas do seu campeão de vendas, o Roundup, à base de glifosato. Há outras 61 mil ações pendentes de julgamento, segundo um escritório de advocacia norte-americano que acompanha os casos.
No Brasil, os trabalhadores que afirmam ser vítimas do glifosato enfrentam dificuldades jurídicas para que seus processos avancem, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Em geral, o desafio é comprovar que os problemas de saúde foram provocados pela exposição ao agrotóxico. Uma das principais estratégias de defesa da indústria é justamente colocar em xeque o nexo causal, atribuindo eventuais doenças a outros fatores.
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O glifosato é usado amplamente para controle de ervas daninhas em lavouras, como soja e milho, como também em áreas urbanas e no ambiente doméstico. O avanço de sementes geneticamente modificadas resistentes ao glifosato tornou o produto ainda mais popular no contexto agrícola.
A substância é considerada “provavelmente cancerígena” em humanos pela Iarc, agência ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde). Já algumas agências reguladoras, como a Anvisa (Brasil) e a EPA (Estados Unidos), não consideram o produto nocivo, desde que aplicado da forma correta.
Nos EUA, contudo, cresceu o número de processos contra a Bayer na última década, principalmente após a empresa adquirir em 2018 a Monsanto, empresa que lançou o glifosato e tinha os direitos comerciais do Roundup
