O ANO DE 2025 terminou com sentimentos contraditórios para Erasmo Alves Teófilo, liderança camponesa de Anapu, no Pará, município marcado por conflitos por terra e pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005, a mando de fazendeiros da região — um crime de ampla repercussão internacional.
Erasmo sentiu-se aliviado ao retornar ao local descrito por ele como um “paraíso em meio à floresta” e rever seus pais, após anos de afastamento por ameaças à sua vida. No paraíso, entretanto, ele se viu com medo. Sentiu-se exposto àqueles que gostariam que ele nunca mais mobilizasse trabalhadores rurais na Amazônia.
“Eu estou feliz em voltar para meu lugar. Mas também vivo como se estivesse me entregando a matadores ou caminhando para meu próprio sequestro toda vez que preciso sair de casa”, descreve Erasmo, em entrevista à Repórter Brasil sobre seu retorno a Anapu. “Vivo com a sensação de que seria morto a qualquer momento.”
Ele deixou o município há quase cinco anos, em meio a uma onda de violência contra lideranças rurais da região no início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Naquele tempo, viu amigos e companheiros de militância serem mortos.
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Desde o assassinato de Dorothy, outras 21 pessoas foram executadas por questões ligadas à terra, mostram dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra), braço da igreja católica que atua com trabalhadores rurais. De lá para cá, ninguém foi condenado pelos crimes, segundo reportagem da Agência Pública.
Um estudo realizado pelas ONGs Justiça Global e Terra de Direitos em 2023 apontou o Pará como o estado com o maior número de casos de violência contra defensoras e defensores de direitos humanos. Em quatro anos, de 2019 e 2022, foram 143 episódios — média de 35,7 casos por ano.
Uma versão mais atualizada do mesmo estudo, divulgada em 2025, reforçou a liderança negativa do Pará e apontou que a média
