O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao território do Irã, neste sábado (28), deve ter reflexo direto no preço do petróleo, provocando alta no mercado internacional.
O principal motivo que leva a essa avaliação é a localização estratégica do Estreito de Ormuz, no sul do Irã, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Notícias relacionadas:China, África e países do Golfo Pérsico condenam ataques ao Irã.Chefe da ONU pede cessar-fogo no Oriente Médio.Entenda os desdobramentos do ataque dos EUA e Israel contra o Irã.Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam ainda que a ofensiva americana e israelense desacredita a negociação entre Estados Unidos e Irã sobre os limites do programa nuclear do país do Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a principal justificativa para o ataque foi defender os americanos.
Ao comentar os desdobramentos da ação militar, o pesquisador Leonardo Paz Neves, do Núcleo de Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), considerou pouco efetivos os disparos de mísseis iranianos a países vizinhos que abrigam bases americanas.
“O Irã retaliou com algumas bombas na base do Catar, na base do Bahrein e em Israel, mas nada me parece que muito efetivo”, diz.
Gargalo no petróleo
Segundo ele, o principal reflexo mundial seria o fechamento do Estreito de Ormuz. “Vai criar um gargalo muito sério no abastecimento e no preço do petróleo internacional”, prevê.
O estreito fica no sul do Irã e liga os golfos Pérsico ou de Omã. O Irã já provocou o fechamento da passagem marítima em outras ocasiões, como forma de pressão internacional.
>> Entenda a preocupação mundial com possível fechamento de Ormuz
Mapa Estreito de Ormuz – Arte/EBC
Na avaliação do professor titular aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Williams Gonçalves, as consequências da ofensiva podem “desorganizar a economia global”, seja por envolvimento militar de vizinhos e gargalo no comércio internacional de petróleo.
Para ele, o fechamento do Estreito de Ormuz criará desequilíbrio na distribuição do petróleo e “rápida elevação de preços”. “Isso vai afetar países que estão muito distantes do teatro de guerra e que não têm nada a ver diretamente com o problema”, antecipa.
Negociação “no lixo”
O pesquisador do FGV Leonardo Paz Neves considera que o ataque militar em meio a negociações com o Irã joga a chance de um acordo “no lixo”.
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