Após quase extinção dos Tapayuna, Justiça ordena demarcação de território no MT

YAIKU TAPAYUNA cresceu no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, ouvindo a mãe e os mais velhos chorarem pela terra da qual seu povo foi expulso. Mais de meio século depois da remoção forçada de seus antepassados, ele finalmente comemora um avanço: a Justiça Federal deu ao Estado brasileiro dois anos para concluir a demarcação do território originário.

Após ataques com alimentos envenenados, atribuídos a seringueiros, e de epidemias que mataram a maior parte do povo, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) retirou os Tapayuna de seu território, em 1970. 

Um grupo de 41 sobreviventes foi levado para o Parque Indígena do Xingu, reserva criada pelo governo federal em 1961 e habitada por diferentes etnias. Desde então, os Tapayuna e seus descendentes vivem em terras de outros povos.Tapayuna é o nome pelo qual o povo ficou mais conhecido. Eles se autodenominam Kajkwakhratxi, expressão traduzida como “tronco do céu”. O território tradicional fica entre os rios Arinos e Sangue, no noroeste de Mato Grosso, e nunca foi demarcado.

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Parte dos sobreviventes foi acolhida por outro povo indígena, os Kĩsêdjê. Yaiku é filho dessa convivência: a mãe é Tapayuna; o pai, Kĩsêdjê. Hoje, ele é cacique da aldeia Thyrykô, na Terra Indígena Wawi. 

“Na remoção, foram 41 pessoas. Hoje somos 444. Nossa população está crescendo e precisamos de espaço suficiente para morar e sobreviver”, conta Yaiku.

Yaiku Suya durante audiência pública sobre reparação na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados (Foto: Larissa Silva/Rede Juruena Vivo / Divulgação)

A sentença de primeiro grau de 11 de junho da Justiça Federal, em Diamantino (MT), estipulou o prazo para a demarcação. O juiz Pablo Kipper Aguilar declarou que o Estado atrasou injustificadamente uma obrigação que já deveria ter sido cumprida e condenou União e Funai ao pagamento de R$ 10 milh

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