O VEREADOR Malaquias José Mottin (PL) virou alvo de um pedido de impeachment na Câmara Municipal de Santarém (PA), quatro dias após avançar com um Chevrolet Camaro conversível contra uma manifestação indígena. O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (9) pelo Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns), que representa 14 povos do Baixo Tapajós.O documento recebeu a assinatura de oito dos 23 vereadores. Para a abertura do processo de cassação são necessários 12 votos, e a eventual perda do mandato exige o apoio de ao menos 16 parlamentares.Durante a entrega do pedido, o advogado Nery Júnior, do coletivo de Direitos Humanos Maparajuba, afirmou que a conduta do vereador ultrapassa os limites do debate político. “É inadmissível e inconcebível um vereador usar ideologia para atacar a identidade e a cultura dos povos indígenas. Essa conduta é incompatível com o decoro desta Casa”, disse.Vereador do PL, partido que abriga a base do bolsonarismo, Malaquias construiu sua trajetória política em oposição a pautas indígenas e ambientais. Em discursos públicos, questiona a identidade dos povos do Baixo Tapajós, crítica a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) — tratado incorporado à legislação brasileira que garante o direito à autoidentificação e à consulta livre, prévia e informada sobre obras que afetem territórios tradicionais — e trata mobilizações como entraves ao que chama de progresso.
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A tentativa de atropelamento ocorreu durante mobilização indígena, iniciada em 22 de janeiro, contra a dragagem de manutenção da Hidrovia do Tapajós, prevista sem qualquer estudo de impacto ambiental, e contra o decreto federal que abriu caminho para a privatização da via.
Após duas semanas de protestos, o governo federal anunciou na última sexta-feira (6) a suspensão do pregão da dragagem. As lideranças indígenas, porém, mantêm a mobilização, pois continua em vigor