Alunos do Pedro II pedem aulas para enfrentar a violência de gênero

O estupro coletivo sofrido por uma aluna do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, reflete a necessidade de retomar uma educação clara sobre a violência cometida em função do gênero das vítimas e sobre educação sexual. A avaliação é dos estudantes que protestaram nesta terça-feira (10), em frente à reitoria da escola, na zona norte da cidade, cobrando medidas em defesa da vida das mulheres.

Além do crime sexual que veio a público nas últimas semanas, a Polícia Civil investiga mais dois casos de estudantes do Pedro II atacadas por integrantes do mesmo grupo envolvido no estupro coletivo, entre eles, um adolescente. Ele é apontado como mentor das “emboscadas”.

Estudante Ana Belarmino defende aulas sobre educação sexual na escola. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Notícias relacionadas:”Temos que agir”, diz ministra das mulheres sobre estupro no Rio.Crime de estupro: entenda as agravantes e punições previstas em lei.Durante o ato organizado por seis grêmios estudantis, a porta-voz dos jovens, a estudante Ana Belarmino, chamou a atenção para uma declaração de uma das vítimas, em um primeiro momento, de dúvida, sobre a violência cometida contra si. Para Ana, esse é um sinal da necessidade de retomar as aulas sobre violência de gênero e a educação sexual nos bancos escolares.

“Se existisse, de fato, esse conhecimento, a gente não teria uma aluna sem saber se tinha sido abusada ou não”, avaliou a estudante, representante dos alunos do Pedro II.

Ana defendeu que os tópicos voltem urgentemente às salas de aula. “Precisamos ter alunas e alunos conhecendo os seus corpos e os tipos de violência sexual”, afirmou.

Para a estudante, o colégio, pressionado por setores da sociedade, silenciou esse debate. Ela citou, por exemplo, pressões de movimentos como o “escola sem partido”, que atacou o pensamento laico e crítico no Pedro II.

E lembrou que, em 2019, a escola chegou a ser invadida por parlamentares ligados ao atual partido União Brasil, buscando material didático com conotação política. Os legisladores não encontraram nenhum material criminoso e acabaram retirados do campus pela Polícia Federal.

“A gente sabe que certa educação precisa vir de casa. Mas não podemos ter movimentos reacionários que forçam um silenciamento do Colégio Pedro II sobre temas que implicam a sobrevivência ou não de mulheres”, disse a estudante. 

Gabriel Pinho Leite Monteiro pediu medidas de combate ao assédio moral e sexual. F

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